terça-feira, 27 de abril de 2010

Lutando contra moinhos de vento

Por Juliana Portella

Assim como Dom Quixote, nós, meros mortais, geralmente temos a sensação de achar que tudo é um grande desafio. Que aquele colega de trabalho que está do seu lado quer te fuder,  que quando sua mãe fala pra você não ir por determinado caminho, é só por implicância. Que seu chefe te subestima, que aquele motorista filho da mãe, sempre quando vê que você está chegando ao ponto de ônibus,  te ignora e você chega ao trabalho atrasado. E  quando você vem com seu papo social- revolucionário as pessoas te chamam de louco?  Enfim, coisas que deixam a gente irado. E , mais que isso,  fazem com que a gente se sinta às vezes azarados, às vezes totalmente fora dos padrões. E nos desanimam dia após dia. É incrível como por causa de coisas tão corriqueiras acabamos traçando batalhas com nosso próprio cotidiano.  Em meio  a esses pensamentos, lembrei da história de Dom Quixote de La Mancha, que em  suas várias lições, trás uma muito importante: É preciso ter cuidado para não confundir a realidade com a fantasia. Nos seus delírios, Dom Quixote,  lutava contra moinhos achando que eram gigantes cruéis. Essa grande figura, ao contrário de um super-herói, sonha, têm esperança e fracassa, o que o torna tão humano. Tão mais semelhante a mim, inclusive. Às vezes, me vejo tão 'pequeno grão de areia', muito pequena pra combater tantos gigantes. A Corrupção, a inveja, a injustiça, a soberba... Ou até mesmo gigantes só meus, que só pra mim são cruéis. A prova daquele concurso, uma cicatriz que incomoda, meu cabelo que não ficou legal naquela foto, por exemplo. Na verdade o que eu pretendo com esse texto não é ter uma conclusão do que é melhor a ser feito, mesmo porque eu não saberia o que deve ser feito. Quero mesmo registrar essa ideia de realidade x fantasia, registrar também uma das centenas de lições desse livro que foi tão importante pra mim e que eu considero uma grande obra.

Um comentário:

Tálison Vasques disse...

Grande Dom Quixote.

Grandes lições também.

Mas em relação a esses desafios cotidianos eu aprendi que as vezes é melhor ser o doido do que deixar de lado seus ideais.
Saiba que há sempre alguém que entende vc. Talvez um revolucionário com sonhos e ideias como os seus ou outro louco, incompreendido, quem sabe?